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Hoje começo a escrever a tua história meu filho, já te contei tudo isto, mas quero deixar por escrito. Por que hoje? Porque antes tarde do que nunca, porque vamos fazer aniversário daqui a pouco, porque hoje me deu vontade de escrever algumas coisas que eu estava relembrando antes de esquecê-las completamente.

Voltemos àquela semana do 4 ao 5 de maio de 2003, quando fomos a Medjugorie. Eu (tu), Alessandro De Angeli, Simona Moramarco, Don Gianni, Don Andrea e um ónibus cheio de gente. Aquela semana foi especial pois se sente a presença da Nossa Senhora naquele lugar. Mas não era a única presença que eu sentia: a Simona Moramarco está de prova! Que pena que o teu papai não pôde vir, pois a vovó Daniela foi operada na segunda-feira, 5 de maio. E tu que fizeste uma semana de caminhadas homéricas! A mamãe estava sem forças, se cansava rapidinho e não tinha fôlego!

O dia que eu voltei, quando entrei em casa, estava eufórica com a viagem. O papai Roberto não estava, pois tinha ido à uma feira com o vô Vito. Mas a casa não etava vazia: eu encontrei um passarinho caído de um ninho na sacada da cozinha. Liguei para uma pet shop, perguntei o que eu podia fazer pelo bichinho, tratei dele, arrumei as malas e fui procurar um teste de gravidez vencido que tinha em casa. O resultado foi positivo, mas eu não confiei muito nele. Era sábado.

Quando o papai chegou eu contei à ele do passarinho e do meu suspeito, ele também não quiz acreditar, pois faziam três anos que esperávamos uma gravidez. Naquela noite eu e o papai nos esforçamos muito para cuidar do passarinho, dando comidinha com uma pinça, mas o pobre bichinho amanheceu morto. Depois de tê-lo enterrado no jardim, fomos à missa e a Milão para comprar um outro teste de gravidez.

Tão logo chegamos em casa eu fui ao banheiro, fiz o teste e o deixei ali, no bidê, pro papai controlar. Ele tapou as duas janelinhas com os dedos e me perguntou como tinha de ser. “Duas bolinhas è positivo”, respondi. Ele foi escorregando o dedo muito devagar e, devo admitir, a sua primeira reação não foi exatamente confortante! A primeira coisa que nos passou pela cabeça foi o pobre passarinho: não sobreviveu a nós dois nem mesmo por uma noite. O que poderia acontecer com esta criança? Era domingo, dia do Senhor 11 de maio de 2003, era dia das mães, o meu primeiro dia das mães.

Tu nasceste oito meses depois, no dia 15 de janeiro, o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar.

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